terça-feira, 31 de agosto de 2010

AMOR DESESPERADO



A moça desesperada
Escreve declarações de amor para si
Poderia ler um livro
Ouvir uma música
Mas o amor chulo de agora
A faz querer transformar a realidade

A quem pensa ela atingir?
O amor falsamente declarado não passa de ilusão
E o amor a mim confessado
Por quem ela pensa amá-la
Também nada me dá
Porque a certeza existe
E independe de palavras
Ditas ou escritas.

Amor de verdade resiste a frios e tempestades
Amor de verdade aquece o sol entre as nuvens
E simplesmente permanece.
Quer queira, quer não
Amor de verdade nunca vai embora

Não é possível apagar lembranças
Cada um tem seu jardim secreto
E, neste, não há entrada pública
Talvez por isso, não me alimente mais
Das pálidas ilusões

E quando ele repete que me ama
Eu apenas ouço
E isso já é o bastante.
Não precisa escrever
Porque tudo que se escreve
Cedo ou tarde, amarela e some

Já ouvi e li tantas juras de amor
Que, agora, me servem apenas
Para encher a gaveta da memória
Importa-me o toque
Importa-me o abraço
O cheiro e o desejo exalando pela casa...

E que não seja todo dia
Que seja um dia apenas
Porque, esta declaração em carne e osso
É a que cola no coração
E torna a alma iluminada.

Vai...
Escreve por ele, moça desesperada
Um dia verás que tudo só vale a pena
Quando o sentir se perde no sangue um do outro
E não nos papéis que inventas
Para, na sua comovente inocência,
Sentir o amor que ele até te confessa,
Mas não sente.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

BILHETINHO



O fato de não estarmos mais juntos,
não impede que o amor permaneça.
Deixemos tudo como está.
Eu sou uma pessoa independente e,
ainda que me sinta só às vezes,
sei que sua companhia estará sempre comigo.
Somos uma prece.
Somos os mesmos de quatro anos passados.
O sentimento ainda pulsa e isso é o que importa.
Não esquenta a cabeça.
Não se divida.
Eu me cuido.
Eu me amo.
E, por me amar,
te amo sem cobrar absolutamente nada.
Fica o tempo que for preciso.
Volta se quiser.
Faz cada coisa a seu jeito.
Como dizem os sábios:
o que é do homem o bicho não come.
Ouvir tantas coisas lindas,
já valeu o dia,
a noite e até a ausência física.
Porque a presença que não se vê
é, não raro, maior e mais importante
do que aquela que devora o cotidiano
e vai matando o amor aos poucos.
Beijos, beijos e mais beijos.
Cuida de você.
E, se não tiver tempo,
deixa que eu cuido de nós dois.

Pelos dias 23 e 24-agosto-2010
Lembra sempre: É Isso Aí!

DEFINITIVO


IZA CALBO

Deixe-me só.
Não queira saber de mim.
Eu sequer existo.
Não pense que se aconteceu algo, isso representou realidade.
Sente a areia movediça acima dos teus pés,
enquanto o sol de agora me esquenta a nuca.
Beija a boca que estiver mais perto da tua,
porque meus beijos não estão à mercê de desejos escassos.
Cata o lixo espalhado pela casa e se suja na lama que te segue.
Eu não quero nada além que não seja belo, limpo e puro...
E, sinceramente, muito menos alguém que me encha o espaço com mentiras.
Reveja as datas.
Tuas contas estão todas erradas.
E não apareça para buscar os trapos velhos...
Minha porta mudou de lugar.

Imagem: WEB

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O DOM DO SILÊNCIO



IZA CALBO

Escuta o silêncio.
Há mil falas no que pensamos não ouvir.
Atenta...
Coloca teu sentido para apurar o não dito
O que calamos quando a vontade era a de explodir.
Ouve cada barulho que não nos é dirigido
Que é simplesmente lançado no espaço sem endereço e, muitas vezes,
por remetente desconhecido.
Tenta captar o som que não incomoda
E aquele que invade o cérebro como música que não se deseja ouvir.
Sente cada nota não tocada
Cada xingamento não dirigido
Cada fala entrecortada pelo vento
Por transeuntes desconhecidos nos passeios das ruas
Senta num dos bancos da igreja
E ouve a prece que não se diz, mas se faz
Ainda que em nada mais se creia
No dia em que aprendermos a viver em silêncio
Talvez aprendamos a escutar o que grita o nosso coração
Neste dia, apenas neste dia, seremos sábios
E quando nada mais houver para ouvir
E o coração, como nós, silenciar
É porque, neste instante, tropeçamos com a paz
Sem alarde, sem buscá-la,
Apenas porque aprendemos a ouvir o
Que somente ao coração é dado o dom de pronunciar
Sem buscar evocar belas palavras ou mentiras vãs.

26-ago-2010
IMAGEM: Web

terça-feira, 24 de agosto de 2010

NAS ASAS DO ANJO



IZA CALBO

Te rever, tocar
sentir que o tempo não existiu
Reimprimir os sentidos e os sentimentos
Ressentir só amor... sem mágoa
Retomar o tesão e tocar teus lábios
E quase morrer nos Teus/ Meus beijos
Te fazer cafuné e, até,
te tomar nos braços como sendo apenas Um
Como se nunca tivéssemos estado longe
Como se o AGORA fosse o SEMPRE... E É!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

INDAGAÇÕES A UM ANJO




IZA CALBO

Lembras da doçura do meu colo?
Das vezes em que jurou jamais me deixar só?
Por acaso sentes o peito apertado pelas tuas promessas vãs?
Em algum instante, no teu dia, voltas o olhar para o passado
e pesas o quanto te fui inteira e leal?
Pensas em nós?
Nas caminhadas pela praia deserta, nas pipas feitas aos montes?
Não guardou na memória o cheiro de alfazema antes do amor?
E as tuas ausências e as tuas voltas?
Lembras de quantas vezes me pediste perdão e juraste se aquietar?
Não. Claro que não.
Eu sou a que todos esquecem.
A que não teve pai, mãe, filhos...
A que não tem amigos por perto.
A que só se vê de longe.
Sou diferente de tudo.
Não procuro piedade quando minha dor me tira o ar.
Não desperto amor, mesmo me doando integralmente.
Sou a que todos desprezam. Sou o próprio esquecimento.
Mas eu... Eu, não esqueço nada.
Isso, sim, se revela em poções de tormento que bebo e me envenenam.
Talvez este não tirar da memória
seja o alimento sólido e insólito da minha loucura tão lúcida.
Este meu não esquecer de nada nem de ninguém, talvez seja, provavelmente,
o que me mantém aqui, mesmo que eu não mais o queira
e muito menos saiba o motivo de estar.
Lembras dos teus olhos pedintes na chuva
e das horas embebidas de amor no sofá da sala?
Da casa que pintamos?
Dos filhos que pensávamos ter?
Da nossa saudade causada por meia hora de distância?
Não. Claro que não.
Nunca foste aquela pessoa.
Nunca serás o anjo que tomei nos braços
e deixei partir sem ter o direito de pedir:
- Não, por favor, não vá!
Se fosses quem dizias que eras,
não terias me deixado em troca de qualquer coisa.
Terias voltado o olhar para o nosso céu e, deitado ao meu lado,
diria o que tantas vezes disseste:
- Perdão amor, eu não sei por que fiz isso.
Embora tu sempre soubesses.

IMAGEM: Arquivo pessoal e Net