sábado, 19 de fevereiro de 2011

NOITE DE AUTÓGRAFOS NA CANTINA DA LUA



A jornalista Iza Calbo, uma das participantes da coletânea Jogos Criminais (Editora Andross), lançada em São Paulo no mês passado, autografa a obra na próxima sexta-feira, dia 25/02, a partir das 19 horas, na Cantina da Lua, no Terreiro de Jesus. O evento tem entrada franca, regado a música ao vivo. Os livros serão vendidos no local a R$ 25,00. Autora de Capítulos, viabilizado pelo então Prêmio Copene de Cultura & Arte, em 1998, Iza Calbo retoma a carreira literária com dois contos policiais: Sedução e Veneno e Asas Estilhaçadas. Aposentada desde 2002, a escritora atuou nos jornais Tribuna da Bahia e A TARDE, dedicando-se a esta atividade por mais de 15 anos. Afastou-se por problemas de saúde, mas continuou escrevendo em seu blog e sites, voltando sua produção para contos, poesias e haicais.
A coletânea Jogos Criminais foi organizada pelo jornalista e escritor Sérgio Pereira Couto. A editora paulista, tocada por Edson Rossatto, dedica-se a coletâneas, oportunizando a apresentação de autores ainda pouco conhecidos do público. Ao todo, a coletânea reúne 30 autores, sendo quatro destes com dois contos cada, totalizando 34 textos. A tiragem inicial é de 1.500 exemplares, podendo chegar a 5 mil a depender da demanda. A programação do evento será marcada pela sessão de autógrafos com a autora, única representante da Bahia. No lançamento na capital paulista,a atriz Cristiana Gimenes fez a leitura de cinco contos do livro, dentre os quais Asas Estilhaçadas
A Andross Editora começou no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, em 2004 para abrir espaço no mercado editorial aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, mas cresceu e se mantém no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Do catálogo, constam mais de 40 publicações. Edson Rossato, editor responsável, é formado em Letras, escritor, palestrante e roteirista de HQ.
Sérgio Pereira Couto, organizador da coletânea, é jornalista, escritor, especialista em esoterismo, história antiga e medieval. Foi editor e repórter de revistas de como Ciência Criminal e Discovery Magazine, PC Brasil e GeeK! Possui textos e artigos publicados em diversas revistas, dentre estas Galileu e Planeta. É autor de mais de 20 livros, com mais de 100 mil exemplares vendidos somente no Brasil, entre eles os best-sellers Sociedades Secretas, Investigação Criminal e Renascimento.
Iza Calbo nasceu em São Paulo, mas radicou-se em Salvador desde 1972. Formou-se Bacharel em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1988. Trabalhou mais de 10 anos na Tribuna da Bahia, ocupando os cargos de repórter, redatora e Chefe de Reportagem, além de fazer críticas de produções musicais e culturais em geral. Em A TARDE publicou textos em várias editorias, mas sempre se ateve ao Jornalismo Cultural, tendo sido integrante da equipe do Caderno 2, até 2002. Tem dois livros prontos, Farrapos de Saudade, onde retoma à prosa poética de sua estréia com Capítulos e Oito Pecados Captados, reunindo poesias acerca do tema sugerido, no qual o Amor entra na lista dos Pecados Capitais. Ambos sem editora.


ROTEIRO

O QUÊ: Noite de autógrafos da antologia Jogos Criminais (Editora Andross)
QUEM: Iza Calbo (autora de 2 contos)
QUANDO: Dia 25/02/2011, sexta-feira
HORA: A partir das 19 horas
ONDE: Cantina da Lua, Terreiro de Jesus, Centro Histórico
ENTRADA: Franca
PREÇO DO LIVRO: R$ 25,00
I

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

REFLEXO DA MOÇA DESESPERADA


IZA CALBO

- Você é louca – diz a moça desesperada.
- As pessoas estão rindo de você – insiste, enquanto coça a cabeça infestada por piolhos.
Naquele sanatório, a paciente de prenome Márcia, chamada docemente pelos funcionários de “moça desesperada”, vai tecendo a realidade paralela e lançando mísseis imaginários em todas as direções.
No fundo, ela não sabe ao certo onde está o alvo. Perdeu a noção quando se viu sozinha,
na casa mofada, abandonada pelo homem que julgava ser seu para sempre.
A moça desesperada acredita mesmo nos extremos.
Tudo para ela gira em torno do SEMPRE e do NUNCA.
Nos devaneios nos quais se perdeu, esqueceu a existência do TALVEZ
Descartou que o SEMPRE acaba e que o NUNCA pode ser a afirmação de muito querer o que ela – a moça desesperada - se propõe a desdenhar.
As altas doses medicamentosas parecem sem efeito.
Não raro, a moça desesperada surta e passa a atacar a mulher louca.
Na imaginação estacionada no pátio de sua mente estática,
foi a mulher louca quem tomou dela o HOMEM que julgava ser uma propriedade.
Nos corredores, pessoas com problemas bem maiores, tentam abrandar a fúria que assola o coração da moça.
E ela ri todo o tempo.
Acredita que é a melhor e credita a volta do seu HOMEM para a mulher louca pelo poder que, supostamente, esta tem para sustentar o HOMEM, que julgava ser seu.
Desconhece a história dos dois.
Entrou no meio e, sem saber, embaraçou-se nas teias da ilusão do eterno.
A moça desesperada vive entre altos e baixos.
Murmura pelos cantos
Inventa pessoas que não existem, xinga desesperadamente a mulher louca.
Ela tem, assim, uma arquiinimiga.
E a mulher louca, como ela diz, continua a viver sem se preocupar com a posse do HOMEM que a moça desesperada,
mesmo negando veementemente, reclama para si.
A mulher louca cuida da vida, do corpo, da alma.
Não se importa se riem dela ou se falam dela.
Ela não tem mais a pressa que aprisiona a moça desesperada.
Aliás, nunca teve.
Já viveu muitas histórias. Amou como pode e soube.
Agora, ama sem nada esperar.
A mulher louca não coça a cabeça nem alimenta piolhos com seu sangue
Não xinga, não morre de medo de ser deixada pelo HOMEM que a moça desesperada pleiteia como a um troféu.
Na verdade, a mulher louca já tem os troféus mais importantes: serenidade e paz de espírito.
E assim, neste cenário, a mulher louca ouve as ofensas da moça desesperada e não acha graça.
Simplesmente sente pena.
E pena, sabe a mulher louca, é o último sentimento que se deve sentir por si mesmo ou por outrem.
Mas, sem ter outra forma de ver tal desespero, pena é o que sobra da mulher louca para a moça desesperada.
Talvez a mulher louca se apiede da situação e, então, passe a sublimar o desespero da moça, que também já é mulher, embora não saiba ou se recuse a aceitar.
O HOMEM da moça desesperada assiste a tudo num misto de graça e medo.
Ele teme que a moça desesperada se interponha entre ele e a mulher louca que,
cansada de tudo isso, prefira seguir sozinha, deixando para a moça desesperada a sensação de pertence que a motiva.
Sensação irreal na qual a moça desesperada se apega como o fazem os insanos a uma cruz pesada e sem dono.
A mulher louca já deletou a voz e a existência da moça desesperada várias vezes
Mas o desespero da moça parece um grito abafado no silêncio aquietante do amor que o HOMEM lhe dispensa cotidianamente e que ela – a mulher louca – retribui naturalmente.
Porque a mulher louca sabe que o amor não amarra
Muito menos se cola num diário amarelado de queixas.
A mulher louca distingue amor e paixão
E, mais que nunca, valoriza a companhia e o carinho sem amarras.
Já a moça desesperada segue desfigurando a face da própria juventude
Enrugando os dias com tolices e desatinos.
E quanto mais ela assim o faz, mais a mulher louca brilha em sua simplicidade.
Porque a loucura, além de patológica, pode ser um sinônimo de felicidade e, quiçá, genialidade.
Louca, a mulher toma um banho com ervas e se deita ao lado do HOMEM
O mesmo que, por um breve espaço de tempo, esteve com a moça desesperada.
No peito macio, todas as noites, ela escuta o coração do anjo que escolheu para acompanhá-la, dando-lhe abrigo e a chave da porta para quando for necessário partir.
A moça desesperada escreve com letras garrafais imaginárias no teto da enfermaria:
-SUA LOUCA.
E, sem se dar conta, o espelho a reflete


Imagem: WEB. Mostra uma moça deitada e a própria imagem como um reflexo. Está seminua, com a face coberta pelos cabelos e o corpo envolto num lençól branco. Foto P & B

OBS: A partir de agora as imagens serão descritas para facilitar o acesso dos deficientes visuais. Aos poucos, este blog será totalmente acessível.