segunda-feira, 2 de julho de 2007

ETERNIDADES



Na primeira vez que pensei estar amando, pretendi, na minha inocência adolescente, experimentar o sabor inatingível da eternidade. Hoje, numa terça-feira chuvosa, vestindo a camisa do amigo-companheiro-amor que se foi – a mesma que ele vestia quando nos conhecemos – percebo que, até agora, fui traída por mim mesma e por não aceitar o passar das horas.

Eternidade só existe na minha alma, onde ainda tenho guardadas as minhas (nossas) melhores lembranças. Os olhos cor de mel. O “não sei parar de te olhar” na voz de Ana Carolina. O beijo doce. O abraço que parecia engolir toda a minha vida de ilusões pintadas até então. Mas também ele se foi. E não havia mais doçura em sua boca nem a beleza clara dos olhos de anjo que me aprisionaram à primeira vista. Só a certeza de que a eternidade é um sonho que acalentamos em vão.

Enquanto chove e eu não sei por onde ele anda, meu coração parece ir se despedaçando mais e mais. Como se derretesse. Mas não há mais sol. E, assim, sem saber qual caminho seguir, acaricio os cabelos dele imaginariamente na esperança de que o sol possa estar lá, escondido. E, um dia, quem sabe, brilhe tão forte que até eu, neste mundo sem luz, possa ver a fresta do amor eterno. Aquele que não existe.

14/05/2007.

Para você que partiu em fevereiro de 2010,como partem todos os nossos ENGANOS!

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